BRASIL, Sudeste, Mulher

 

   

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Histerias binárias



Sem açúcar, com afeto

Aqui em casa não tinha açúcar não.  Há muito tempo não sabia o que era ter isso em casa. Mas quando eu era criança tinha. Lembro que uma vez encheu de formiga no pote de açúcar da minha Mãe e ela jogou tudo fora. Naquela época ela ainda fazia café em casa, então comprou um quilo de açúcar novo, e colocou na geladeira – creio eu que formigas não gostem de lugares frios, pelo menos elas nunca entram em geladeiras. O que aconteceu depois que o açúcar foi morar na geladeira é que nós esquecemos dele. Um belo dia, quando lembramos, constatamos que o açúcar tinha virado pedra, e lá foi mais um saco pro lixo. Minha Mãe, virou mulher moderna e começou a só tomar Nescafé (Espécie de café-miojo tipo copnudles, que fica pronto em segundos com água ou direto no leite). Resultado, aumentaram-se as caixas de leite – mas desnatado porque minha Mãe certa vez entrou numa neura de produtos não-gordurosos e é assim até hoje. Me acostumei ao leite, aos potes de adoçante, a tudo 0% de gordura, ao óleo de girassol (?!). Sinceramente não sei se tudo isso adianta, só sei que o que nunca faltou aqui mesmo foi afeto. Quando a Rê (nata Négri) chegou, ela que tem nata até no nome, não achou a mesma na xícara, e me perguntou: “Cadê?”, eu disse que nesse leite não tinha, ela se conformou e acabou até se acostumando com o gosto, com a falta de açúcar, com o nescafé.  Quando o Dê (ivid Marins) chegou, logo foi me perguntando aonde ficava o açúcar e a gordura da casa. Eu disse que não tinha, não. Mas com ele não teve jeito. Hoje tem um leite integral (que ás vezes azeda porque sobra), e um potinho de açúcar esquecido e empedrado na geladeira. Raramente ele é usado pelo Mr. Marins aos finais de semana, mas tem que estar lá, junto com o meu afeto e todo meu amor, se não o bebê chora.

 



Escrito por Leda. às 23h29
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Março

As vezes faz calor, as vezes frio.  As vezes o sol aparece quente, outras eles esquentam as nuvens e nos deixam aqui, numa espécie de sauna sem fim, sem saída.

As vezes me pego olhando o céu, esperando uma nuvem passar, se desfazer, ou se integrar a outra. Não é assim que a vida é? Como uma nuvem?  Vezes densa, vezes quase vazia; vezes solitária, vezes muito habitada;  vezes tempestuosa, vezes ensolarada.  Acho que Deus foi de uma grande delicadeza ao crias as nuvens de algodão.

Bem, eu espero. E apago o texto várias vezes sem saber o que dizer. Não tem nada pior do que a incerteza do seu destino. Então, me pego a pensar: “Aonde estará o meu destino?” Será aqui do lado dos meus amigos, família, namorado. Será nos EUA, buscando coisas melhores pro meu futuro? Aonde será que Deus quer me levar? Eu acredito em destino, mas sei que aonde estiver serei feliz e alcançarei tudo o que quiser. Mas a incerteza ainda está aqui, e incomoda.  Esperar, esperar, esperar. Tem coisa mais chata? Estou testando a minha paciência, ou será que alguém me testa?

Viemos para testar ou sermos testados? Para olharmos o céu, ou sermos vistos de lá?

Já é Março, são 23:03 do dia 24. Eu gripada e duvidosa continuo por aqui. Vivendo, escrevendo, chegando até a margem de tudo.  Vendo muitas nuvens passar, e imaginando as que ainda passarão.



Escrito por Leda. às 23h09
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A minha certeza

Não gosto de ser talvez. Gosto de ser a certeza. A certeza do sim, ou do não. Mas a certeza de mim mesma. As vezes não tão boa para os outros mas o suficiente para mim.

Certeza que pode deixar triste, ou fazer feliz; que pode desapontar, ou fazer se orgulhar. A singela certeza da verdade, da sinceridade.

Eu aprendi há uns anos atrás aquele velho papo banal do "se amar em primeiro lugar". Sim, eu aprendi. E não foi nada fácil, não. Porque se amar nos dias de hoje não é uma simples tarefa. Mas tem que ser, há de ser.

Talvez o 'se amar' é a única maneira de colocar todas as coisas no seu devido lugar. Digo, dentro de si, sabe? Só o amor pode dar a certeza e a segurança de ser o que é.

E eu sou. Sou o que quero, e não o que os outros queiram que eu queira. Pode não ser o melhor, mas tampouco será o pior.

Apenas mais uma, mas única. Entre bilhões a incidência de ser eu.



Escrito por Leda. às 14h58
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A linha tênue

Viver é uma linha, é uma estrada, é... sei lá,  é o que você quiser que seja. Sempe procuramos metaforizar para enteder mais ou menos porque estamos aqui, nessa terra de ninguém. Querendo ou não enquanto vivemos vamos desenhando um traçado, uma linha. As vezes essa linha fica tão fina que é difícil se equilibrar pra não cair. Viver é uma linha tênue entre existir e deixar de existir. E o deixar de existir assusta, dá medo. Quando a vida de uma pessoa está nas mãos de outras, você percebe o quanto é pequeno diante da "linha" que não é sua. O que nos resta diante dessa incapacidade é torcer para que a linha alheia se recupere, que fique mais forte, mais calejada porém mais dura pra aguentar o que der e vier e for.

Escrito por Leda. às 00h50
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Barulho

Descobri comendo uma bolacha:

O maior e mais alto barulho mora dentro da sua cabeça. Não importa quem esteja perto, eles nunca vão se encomodar com as suas mordidas.

 



Escrito por Leda. às 00h38
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