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Histerias binárias Chocolate Tenho medo do meu repudio as coisas. As vezes me pego querendo sumir, querendo esquecer de tudo. As vezes me pego detestando algo, algo que eu gostava. É um repudio passageiro, depois passa. As vezes tenho repulso por algumas coisas. Não é nada demais, eu não odeio ninguém, não odeio você. É por coisas, situações. Sabe aquele auto-tapinha na testa? Aquele tapinha do arrependimento, da chatiação, da mesmisse, da fuga inconsequente pra lugar nenhum. É algo assim. Logo depois uma promessa: “nunca mais vou fazer isso”, “nunca mais vou dizer aquilo”, “nunca mais vou comer chocolate”. Acabei de achar a materialização de um exemplo: O chocolate. Eu amo, venero, não vivo sem. Mas odeio e de repente não quero mais ve-lo. Nem preto, nem branco, nem disfarçado de moedinha de 1 Real dourada! E na mesma velocidade em que eu deixei de ama-lo, eu volto. Passo a mão pelo cabelo, vou até a cozinha, pego uma colher de nutela e fico lambendo, até o prata do concavo aparecer, até a colher ficar tão limpa de modo que eu possa me enchergar novamente nela. Como um espelho. Dizem que o amor e o ódio andam lado a lado. Talvez seja por isso, talvez não. Talvez seja pelo fato de eu ser mulher, talvez não. Talvez seja porque ninguém é normal, talvez não. Quem realmente vai saber? Escrito por Leda. às 23h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Bagunça Abro a gaveta, uma bagunça. Livros, dicionários, papeis, canetas, mais papéis, lixo, mais papéis; entre eles, folhetos de pizzarias que eu peguei na portaria, um folheto de plano de saúde que eu peguei no farol, anotações minhas, plantas de apartamentos que eu já desisti de comprar, comprovantes de cartões que comprovam o quanto consumista eu sou. Na escrivaninha uma agenda de 2007, em cima uma de 2008, em cima um livro do Jabour, em cima um Cd riscado da Marisa Monte, em cima a TPM do mês passado, em cima o ar, que ainda cabe aqui. Um fone de ouvido, meu celular, o cabo de tranferência da máquina. Epa! Cadê o mouse? Ah, está caído no chão. Do lado dele, uma presilha que eu havia perdido, achei que estava entre meus cabelos, mas descobri que não. Na caixa de presilhas, presilhas não há. Aonde estão todas as outras? Algumas na bolsa branca, outra na bege. Dentro da gaveta deve haver algumas também. E o que sobrou deve estar entre brincos, colares, e anéis na caixa rosa de estrelas na tampa. Tudo enrolado, tudo embolado. Em meio toda essa bagunça as vezes me perco, as vezes me acho. Tudo isso é verdade. Um grande metáfora da realidade. Escrito por Leda. às 23h26 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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